Você sempre me deixou claro que não é amor. Escapou ali um abraço no meio do escuro. Mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo. Foi a inércia do amor que está no ar, mas não necessariamente dentro de vc.
A gente sai junto, coisa que namorados fazem. Mas amigos fazem também, não? Somos amigos. Escapou ali um beijo. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre.
Você me chamou de amor ontem, enquanto a gente transava e você tinha bebido. Eu quis chorar. Mas também quis rir muito. Acabei só esquecendo isso. Talvez o “mô” que você murmurou, seja porque no dia anterior, naquela mesma cama, você tenha comido alguma “Mônica”. Prefiro pensar assim. Se eu for muito, mas muito escrota, talvez eu me proteja de me assustar muito. Caso você seja escroto. Eu sendo de pedra não quebro com a sua pedra. Sei lá, seu coração tem dona e você sempre me deixou isso claro fazer o que? Nunca vai me amar!
Aí teve aquela cena também. De quando eu fui te dar tchau e você olhou e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer.
Mas você sempre me deixou claro que não é amor. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque ta perto de mim. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir . Não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.
Você sempre me deixou claro que não era amor, realmente não é pra vc. Mas Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você penso o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você me olhe como amiga. O quão sagrado é abrir mão de tudo só pra ta com vc. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre, tenho que me controlar e não falar de amor.
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor.
E eu vou rir quando você me contar suas aventuras, saídas, e eu vou continuar dizendo “bonito, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Mas quando, de vez em quando vc, meio sem querer, colocar a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita e valoriza todo o amor que sinto por você e tenta me amar...




Leia este blog no seu celular